ficha tecnica

O Espaço é para nós a expressão das nossas possibilidades colectivas: simboliza o poder do homem, é ao mesmo tempo o signo e o instrumento de uma capacidade infinita."
"L’homme et l’espace"Ledrut R., 1990
"Celebração das cidades", um momento de reflexão sobre o futuro das nossas cidades.
No seu rápido e constante crescimento e desenvolvimento, a cidade contemporânea, muitas vezes deixa para trás problemas não prementes, que normalmente abrangem minorias que acabam automaticamente por ser marginalizadas. Problemas sociais que têm ao longo do tempo claros efeitos nos espaços públicos. Espaços pontuais no corpo da cidade, que acumulam pequenas feridas sempre mais difíceis de sanar, por onde o cidadão comum passa mas não pára, vê mas não olha. Lugares antropológicos que se transformam em "não lugares" (Augé).
"…. o profundo contraste entre uma praça de uma aldeia o vila, com gente a conversar, e um carro abandonado numa grande cidade, guarida de um sem-abrigo. Se nos tradicionais < lugares antropológicos> a identidade era partilhada, os não lugares, pelo contrário, criam eles próprios uma identidade. Não se fala, há tabuletas para ler, sinais que nos indicam o caminho."
"Sem amor, sem abrigo" António Bento e Elias Barreto, 2002
A tomada de consciência pública do problema, a vontade de regenerar os espaços problemáticos integrando os diversos tipos de realidades (aceitando-as), numa convivência pacífica e solidária, dentro de um novo "lugar de cidadania", poderá ser um passo para a reabilitação da cidade e dos seus próprios habitantes.
"Logo que o grupo é inserido numa parte do espaço, transforma-o à sua imagem, mas ao mesmo tempo submete-se e adapta-se a coisas materiais que lhe resistem."
"La Mémoire Collective" Halwbachs Maurice, 1950

Local
Cais do Sodré, um dos claros exemplos de descaracterização de um espaço público. Uma zona de chegada (comboio-trânsito fluvial) que convida a uma rápida partida. Uma zona central, de passagem, desorganizada, não convidativa, com um elevado nível de poluição acústica, onde a dispersão dos objectos urbanos de uso comum, em conjunto com a ausência de zonas de estar equipadas e definidas, tornam o espaço numa área apetecível às "minorias" marginalizadas.

Loja social
O edifício implanta-se numa zona de estacionamento, junto à marginal. A sua forma acompanha o fluxo de tráfego intenso da estrada, limitando a área que se estende até ao Rio e protegendo-a do ruído do tráfego. A pele translúcida exterior, suportada por uma estrutura metálica, contém no micro-clima que gera no seu interior núcleos distintos que albergam dois grupos principais de serviços: social; público.
O núcleo social, um centro de apoio aos sem abrigo, centraliza todas as instituições sociais ligadas a este problema num único foco.
O público reagrupa os "utensílios" urbanos (multibanco,marco de correio, telefones, i.s., mapa, etc…) numa só zona, permitindo uma mais fácil acessibilidade a estes serviços públicos.
Parte do revestimento exterior serve para a projecção de publicidade, funcionando como écran.

Climatização
A ventilação natural com velocidade controlável dentro de edifício, de forma a garantir uma renovação mínima do ar no período de Inverno e uma transferência de calor máxima no período de Verão, utilizando aberturas superiores controladas;
entrada de ar subterrânea, com a conduta devidamente equipada de forma a que o ar que entra no edifício seja devidamente filtrado e tenha a temperatura amenizada, próxima da média diária, sem estejar sujeita a valores extremos;
distribuição das entradas de ar uniformemente pelo edifício de forma a garantir uma homogeneidade térmica no interior do edifício
utilização da massa térmica do edifício para garantir uma temperatura média no seu interior próxima da temperatura média diária;
utilização do espaço entre a envolvente exterior e o edifício interior como um espaço/volume tampão amenizador entre as arguras do clima exterior e o conforto desejado no interior;
utilização da água da chuva para águas de sanitas
paineis fotovoltaicos instalados na cobertura para compensar o gasto de energia do edifício
A Praça, agora abrigada, reorganiza-se e distribui os quiosques ali dispersos (bar-jornais) no seu limite, oferecendo um espaço de estadia mais organizado, um lugar dos cidadãos.

                     
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