ficha tecnica

INTRODUÇÃO

O primeiro impacto (por vezes o mais denso, por ser mais inocente), a uma escala maior, é a forma como a praça Iliria polariza todo o tecido urbano e esquema de circulação. Como um corpo, quase como uma forma orgânica, com braços que se estendem a toda a cidade. A sua posição, a sua geometria, tudo isso é o resultado de séculos de desenvolvimento (urbano, político, social e cultural), e mostram-nos a importância do local.

Essa imagem clara vai perdendo força numa análise mais aproximada. Aí, a praça hiberna e parece não responder a todos os novos desafios que o novo século vai propondo.
Repensar sobre o que é uma praça hoje, o que representa e significa, como a sua imagem representativa se foi alterando ao longo dos anos, foi um dos primeiros passos que tentámos seguir.

Se, teoricamente, uma grande parte das praças antigas é claramente definida pela construção envolvente (sendo o negativo do espaço construído), a praça Iliria é hoje maioritariamente definida por uma estrutura de circulação e por 5 edifícios não alinhados (4 públicos e 1 privado).
No lado oeste, a fronteira na qual se encontra a mesquita e o edifício da prefeitura está claramente cortado, limitando e separando a colina do plano horizontal.
No entanto, a praça é definida pontualmente por edifícios localizados em posições estratégicas. Se este facto for assumido e trabalhado, esta aparente fragilidade pode ser transformada numa forte e intensa relação urbana.

Assumindo que toda a história do local é conhecida na generalidade, é importante reconhecer o esforço (apesar de reflectir uma forma clássica de resolver o espaço público) do masterplan datado de 1942, que encontrava uma solução lógica para dar a esta praça um carácter representativo. O projecto não foi construído, mas deixou alguns traços na actual configuração.

BASES

As primeira informações que serviram como base do projecto foram:
novos percursos dentro da praça;
preservação da fonte;
respeito por qualquer eventual local arqueológico por baixo do local;
necessidade de uma nova estratégia ecológica;
interligar os diferentes edifícios históricos numa malha.

OBJECTIVOS

O presente estudo foca, tentando questionar e responder ao mesmo tempo, os seguintes objectivos/desejos:
definie e equilibrar a praça;
coser o tecido urbano;
organizar as circulações;
devolver prioridade aos peões;
tornar a praça num símbolo da cidade.

PROJECTO

Definir a praça
A estratégia que seguimos para a definição da praça começa na idéia de deixar os edifício públicos que para lá estão voltados participar em todas as futuras actividades, concentrando aí todas as relações entre eles.
O primeiro passo foi compensar o equilíbrio e a definição da praça, propondo um novo edifício no lado nordeste, evitando uma clara perda de tensão nesta área. O edifício proposto poderia ser um eco-hotel, ganhando o estatuto de símbolo.

A PRAÇA

O segundo passo segue o nosso desejo e organiza a nova praça ligando cada um dos edifício públicos (todos eles tm acesso a diferentes níveis) permitindo uma igual relação pedestre/humana com a praça.
De certa maneira, poderíamos dizer que ao re-interpretar a forma da praça existente (corpo e braços) estamos a criar um novo nível ( em superimposição). Isto gera 2 níveis de uso: transporte para o velho nível (parcialmente) e pedestres no primeiro nível.

O conceito da superimposição está relacionado com a teoria arqueológica das camadas: em vez de tentar escavar para resolver os problemas de circulação, é necessa´rio adicionar uma nova camada que evite o mais possível trabalhar no chão.
A nova praça começa no final  da principal rua de comércio (em projecto com tráfego limitado), introduzindo um novo pavimento vindo da área do porto (em pera branca) que em frante à câmara cria, com o seu próprio movimento, um pequeno espaço para uso oficial. Essa massa branca continua a sua apropriação da terra inclinando-se a si própria. Neste movimento vertical liga-se através da extensão da sua massa com a mesquita, sem no entanto lhe tocar, e com a prefeitura, onde chega através de rampas até à área de entrada.

As ligações com os outros dois edifícios públicos (o centro cultural e o novo Eco-Hotel) segue a mesma regra mas, em vez de gerar a continuidade com o chão, passa sobre a nova estrada. Este sistema garante continuidade para cada um dos percursos, permitindo ainda uma relação privilegiada com a praça.

O lado oeste está agora livre está agora livre da estrada e desliza até ao novo limite, aumentando o solo verde e permeável e estabelecendo a continuidade com a praça.
No lado este, as conexões planeadas são pequenas rampas com a frente, que permitem passagem mas mantêm a separação entre a estrada e a praça.

A praça tem ainda um pátio que aponta na direcção da entrada da mesquita e na actual localização da fonte existente. Foi pensada como sendo um calmo pátio escavado na massa da praça, um espaço de relaxamento que pode eventualmente permitir diferentes organizações e utilizações.
É importante sublinhar que todos os caminhos que ligam aos edifícios procuram pontos de vista especiais, enquadramentos específicos do espaço envolvente.

Toda a praça é, basicamente, um espaço vazio, que recebe mercados diários e semanais, concertos e eventos efémeros.

Na camada abaixo da praça, onde a altura o permite (em praticamente metade da área da praça), a massa pode ser escavada para incorporar sanitários públicos, espaços de uso público e um parque de estacionamento coberto, mesmo em frente ao Centro Cultural.

LIVING SPACES

A camada da praça permite, na sua materialidade, uma grande flexibilidade. A massa rochosa permite construir com o mesmo material todo o mobiliário urbano necessário no espaço público. Também permite incluir espaços funcionais como um bar e esplanada, deixando em aberto a possibilidade de acolher maiores eventos.

AS ESTRADAS CIRCUNDANTES

A rocha branca espalhar-se-á por toda a praça, marcando estradas, organizando o mobiliário urbano com a intenção de intensificar a densidade do material à medida que nos aproximamos do centro.

SUSTENTABILIDADE

Os aspectos referentes à eficiência energética são sumários nesta fase. Entretanto, a utilização da água da chuva para os sanitários públicose a possibilidade de usar energia solar (fotovoltaicos) para iluminação da praça são considerados fundamentais neste projecto.

                     
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