PAVILHÃO DE PORTUGAL
A proposta surge como um pavilhão com uma leituras múltiplas, pontuado de informação e contributos de diferentes áreas. É esta diversidade multidisciplinar, acentuada nesta proposta e unida pela temática de Portugal e a sua relação com a água, que permite um aumento de expressão na sequência dos espaços que contam esta “ estória” procurando cativar a atenção de cada um dos visitantes.
FACHADAS
Na aproximação à grande nave de pavilhões, cuja caracterização e ornamento principal é feito pela organização da Expo de Zaragoza, o Pavilhão de Portugal destaca-se pela Sua simplicidade e pelo seu caracter reflexivo. Textos colocados na face exterior da fachada por cima dos painéis de alumínio e sobre vidros a substituir as placas existentes, contam da nossa cultura com a água numa representação da artista plástica Ana João Romana. “Para a fachada do pavilhão de Portugal propõem-se um arquivo de excertos de textos de autores portugueses que tenham como referente a água. Serão incluídos escritores da geração dos 30 anos como: Gonçalo M. Tavares, Jacinto Lucas Pires, José Luís Peixoto ou Pedro Mexia.
Estes textos serão traduzidos para várias línguas e depois impressos em placas ( de 1x4 m) que revestem a fachada do pavilhão, do chão ao tecto. Resultando visualmente como uma textura.
Nota: Na entrada (alçado sul) existirá um total de 36 textos. Na saída (alçado este) existirá um total de 48 textos.” Pontualmente esta substituição dos painéis existentes por peças de vidro permite, para além de uma informação em destaque sobre os conteúdos do pavilhão ao visitante, uma entrada de luz pontual e direccionada para o interior.
INTERIOR
O pavilhão de Portugal pode-se caracterizar por duas zonas distintas a nível funcional separadas por uma parede autoportante em aço revestida, de facil montagem e com grande potencialidade de controle acústico.
Estas zonas são:
Espaço Portugal
Espaço Expositivo
Espaço Portugal
Com acesso pela entrada Sul, do lado poente, o visitante entra num espaço definido por paredes em que a negação do paralelismo entre estas e as existentes provoca uma leitura fluída e contínua do espaço. Estas paredes, como uma segunda pele contém de forma oculta, de um dos lados todo o mobiiário de apoio ao espaço comercial e eventuais pequenos espaço de armazenamento de apoio. As casas de banho (todo o sistema de distribuição de água no interior do pavilhão será fornecido através de torneira de produção portuguesa com economizadores) e uma parte do mobiliário do refeitório também estão incluídos no espaço entre a nova parede e a existente num corpo que ao receber e ao permitir ocultar estas funções liberta o restante espaço tornando-o mais apto a receber múltiplas actividades. O conceito de parede “armário” está generalizado a todo o “Espaço Portugal”.
Será assim a primeira mais apta a receber a área comercial, pois a dupla parede para além de incorporar todas as necessidade tem a possibilidade de recortar eventuais vitrinas expositivas que poderão ser adaptaas às reais exigências. Prevê-se ainda a inclusão de todo o sistema de separação de lixo no interior desta pele.Seguindo o movimento/fluidez desta segunda pele entramos no segundo espaço do “Portugal Compartilha”: nesta área, mais recolhida, o tratamento de paredes e tecto é apropriado para uma função mais reservada, onde a projecção e o debate tomam lugar.
Segundo o mesmo sistema de mobilidade dos componentes destas paredes/limites do espaço, esta área pode ser encerrada (espaço mais intimo) ou aberta ( espaço contínuo) possibilitando assim, a transformação segundo as necessidades do momento.
A área gastronómica, composta por zona de refeição/bar e cozinha, localiza-se no final do espaço, sendo que a cozinha (sendo que o tipo de equipamento e fornecimento não está definido), localizada no interior da “pele”, tem uma relação de proximidade com o acesso de serviço.Entre a entrada do espaço Portugal e o vestíbulo que introduz à sala expositiva existe uma zona de ligação/passagem de circulação condicionada (acesso ao pessoal autorizado e circulação de pessoas com mobilidade reduzida) que integra uma circulação vertical que nos conduz ao gabinete administrativo/assessoria mediática e ao gabinete do comissário geral.
Deste vestibulo temos acesso à sala VIP, também incluída no interior da parede divisória, que ao se “desviar” configura vazios mais reservados/condicionados.O vestíbulo introduz o visitante à “viagem” pela exposição, sendo este um espaço ainda de espera para a entrada na exposição, o visitante tem acesso à informação do programa cultural/gastronómico, panfletos e vitrinas comerciais. Ainda nesta área onde já se consegue ter a percepção do “invólucro” da exposição, localiza-se um painel introdutório onde será projectada a estrutura geral dos conteúdos.
Espaço Expositivo
Conceito geral
O conceito geral deste espaço expositivo é conduzir o visitante através de um percurso sinuoso, com a carga de um canal escavado pela água, dinâmico e leve. Proporcionar assim um espaço sugestivo, poisado na água, quase uma linha do tempo, uma ponte entre realidades ou mesmo um leito de rio subterrâneo. O percurso no interior deste espaço é regrado pelo suporte aos conteúdos expositivos, que modelando-se ao espaço construído conduz o visitante através das três temáticas/espaços: território; emoção; utopia.
Espaço Território
Em resposta ao conteúdo desenvolvido e proposto, o percurso desenvolve-se no interior da materialização de uma possível linha de água. A sua representação que pode passar da linha do tempo ao leito do rio assume nas suas paredes facetadas tensões dinâmicas que direccionam o visitante. Neste vazio tensionado surge o suporte expositivo que representa o percurso do homem e a sua relação com a água. Este suporte único direcciona e conduz o visitante permitindo a fluidez da visita.
É neste espaço cognitivo e informativo sobre as temáticas das três bacias hidrográficas de Portugal que existirá interactividade (com o auxílio da Ydreams), permitindo uma fácil e dinâmica leitura e interpretação dos conteúdos mais científicos por parte do visitante permitindo uma comparação das temáticas entre os três rios.
Uma obra da artista Inês Botelho a representar o território, numa zona reservada permitirá um momento de paragem/interpretação/reflexão.
“realizará uma Escultura/Instalação inédita, site-specific, inserida na subdivisão «Território». O tema «Água» associado ao do «Território» serão explorados no sentido formal evocando noções de devir, de ramificação, expansão e contracção, aproximações e recuos... como metáfora para a referência histórica dos descobrimentos e a tendência nómada do povo português para (num sentido mais contemporâneo) imigrar, conquistando e mantendo o território da sua ancestral ou nova comunidade, mudando de habitat… nesse jogo tão demorado no tempo de avanços e recuos, de aproximações e afastamentos entre por exemplo Lusitanos e Árabes, Portugueses e Espanhóis...”
Espaço Emoção
Do primeiro espaço o suporte-expositivo solta-se desviando por fora do volume. transformar-se t em percurso, acompanhando o visitante para a representação da grande reserva natural do país_ as águas subterrâneas.
O espaço com o pé direito do pavilhão, é escuro rodeado de água representando a dimensão emocional/onírica dos nossos rios e é iluminado indirectamente pelos volumes translucidos que começam e acabam a exposição. Neste espaço, aparecerão, quase como fantasmas, ilusões, miragens, imagens do fotógrafo Fernando Guerra projectadas em chapas de vidro e alguns textos da artista Ana João Romana.
“Projecto baseado na colecção de memórias de pessoas ligadas à água. Esta colecção tem como suporte entrevistas nas quais é pedido às pessoas para contar a sua relação emotiva com a água, as suas memórias sobre este elemento. Será feita uma cobertura audio das entrevistas. Seguida pela escrita ( em várias línguas) de pequenas histórias, semelhantes a sinopses, didascálias ou descrições de cenas de um possível filme. Isto é, escrita que é muito visual, que cria uma imagem mental no observador que lê as histórias.
Estas histórias ao serem instaladas no espaço expositivo do pavilhão são como um dispositivo mnemónico (para uma imagem mental). Talvez para o observador haja uma deslocação no espaço e no tempo das suas memórias pessoais.
Assim, na área do pavilhão ligada à emoção pretende-se uma articulação espacial dos textos, são pequenas histórias deambulando numa praça. Estes textos serão gravados nas duas faces de vidros.
Esta instalação é como uma textscape (paisagem de texto). O observador pode criar as suas próprias histórias e projectar as histórias pessoais na obra. Como uma sala de espelhos que reflecte reflexos de reflexos.
Numa primeira fase serão entrevistadas pessoas, em Portugal, ligadas ao mergulho, à pesca, à natação, à canoagem, ao transporte fluvial, às estações de tratamento de águas, à segurança nas praias, às inundações, à neve, ao gelo...”
Este espaço será também caracterizado pelo som amplificado de gotas a cair, criando círculos no espelho de água, potenciado eventualmente através da actuação interactiva.
Neste momento do percurso o visitante é confrontado com a parte sensorial desta representação de grandeza e desconhecimento das águas subterrâneas. É também neste ponto, que tem uma percepção geral e uma visão exterior da linha de água em que o iniciou nesta visita.
Após esta paragem no tempo e de reflexão, o percurso reconduz à continuidade da linha de água e materializa-se de novo o suporte de conteúdos.
Espaço Utopia
Nesta última zona - “zona da utopia” - serão apresentados em diferentes formatos, projectos e utopias de uma possível impossível e/ou desejável relação do homem com a água no futuro.
No suporte aparecem visões de arquitectos, artistas e físicos/cientistas. Contrariamente ao primeiro espaço, este apresenta as suas temáticas através sistemas tradicionais de interpretação: video, maquetas e painéis.
Desta viagem em território Português o visitante poderá levar consigo umas “gotas” de água portuguesa encapsuladas (possivelmente patrocinada por uma companhia de água portuguesa).
( em PVC branco e translúcido, iluminada de forma homogénea) terá interesse como elemento atractivo e chamativo num primeiro impacto; o elemento compacto (em viroc preto, iluminado de forma mais contolada nos balcões, de forma mais direccionado nos expositores e de forma mais suave no pavimento) terá um papel crucial no “acompanhamento” de quem percorre o stand.