esquema geral e distribuição dos espaços
O acesso ao edifício é feito através da porta
principal da fachada existente. Um espaço ainda aberto mas
coberto antecede à entrada da Ordem dos Arquitectos. O pano em
betão da caixa composto, em baixo, por uma estrutura
metálica pivotante, que suporta os painéis em
betão pre-fabricado, em conjunto com os vãos em vidro,
recuados, permitem a entrada. Esta zona intermédia, entre
interior e exterior, protegida do sol e das intempéries
distancia a nova construção da fachada existente, criando
uma forte relação entre os dois elementos. O volume
translúcido organizador, a "lombriga", prenuncia-se já no
espaço, avançando neste "adro" domestico.
Entra-se assim no átrio da Delegação, um
espaço definido pela dualidade matérica da parede a
norte, isolada e revestida por painéis ré-fabricados em
betão a que se contrapõe, a sul, o volume
translúcido em vidro fosco, que contém a zona de
recepção e secretariado.
A profundidade do edifício é também evidenciada
pela abertura visual ao logradouro, intervalada por uma entrada de luz
central, que corresponde à zona de lanternim e define na sua
projecção a escada de ligação ao primeiro
piso.
Ainda contido no volume translúcido, a seguir à
recepção, uma plataforma elevatória
-presença opaca e preta- define a primeira inflexão do
volume, para cima, garantindo a acessibilidade dos deficientes motores
ao piso 1. A circulação horizontal no piso superior
é marcado no piso inferior por um tecto falso em vidro que
ilumina a zona de circulação e nos acompanha até a
primeira zona polivalente, a zona "informal". Esta zona está
ladeada pelas instalações sanitárias que servem o
edifício e por uma zona de copa de utilização
ocasional, de apoio a exposições e outras actividades que
aqui poderão ter lugar. O logradouro, de dimensões
reduzidas, permite a entrada da iluminação natural nesta
zona e funciona como saída secundaria de emergência.
conceito
Partindo de um vazio no interior de uma grande massa
(quarteirão), limitado e contido pela fachada existente,
construi-se uma caixa estrutural, recuada. Uma caixa em betão,
conceptualmente opaca, que cria em relação ao
alçado classificado um pano de fundo, com uma estereotomia
regular.
No interior, um volume translúcido organiza e define um
movimento que percorre o edifício nos seus dois pisos. Este
volume alberga pequenas caixas opacas que o ritmam numa sucessão
de cheios e vazios.
O objectivo é potenciar o sentido da profundidade do
edifício, aproveitar esta característica aparentemente
limitativa, definindo um espaço fortemente axializado
através de um elemento de luz, que atravessa e se movimenta no
espaço, e define as suas funções através
dos elementos que contém. Portador de todas as infra-estruturas
permite a abertura visual longitudinal no piso térreo, e
delimita o espaço público do privado no primeiro piso.
O edifício que albergará a futura sede da
delegação do algarve da ordem dos arquitectos em faro,
encontra-se, como descrito no programa preliminar, num
quarteirão incluído no alargamento extramuros,
seiscentista. Um quarteirão de grande densidade,
heterogéneo na subdivisão dos lotes, provavelmente o
único traço existente da sua memória seiscentista.
Assim neste lote "gótico", com 5,05 m de largura e cerca de 20 m
de comprimento (verdadeiro desafio a qualquer regulamento de
edificação moderno), onde se propõe a
construção da delegação da Ordem dos
Arquitectos, o programa funcional esboçado torna-se talvez
sobre-O programa enunciado no concurso entendeu-se assim como ponto de
partida para uma reflexão sobre as reais possibilidades de
funcionamento de uma delegação com a área e a
implantação proposta.
A redefinição do programa funcional esteve na base da
concepção do projecto, tendo em conta que os regulamentos
de higiene e segurança no trabalho, assim como o de
acessibilidade, têm clara aplicação neste
edifício. Larguras mínimas regulamentares, escadas,
plataforma elevatória e instalações
sanitárias para deficientes vieram juntar-se ao leque de
dificuldades que a área em si já apresentava no que se
refere à superfície total e à sua
iluminação natural.
Contudo estes aspectos ajudaram na definição das
possibilidades que o espaço "sobrante" oferece para o
funcionamento da delegação. dimensionado para as suas
dimensões.
No primeiro piso, chegando pela plataforma elevatória,
percorre-se um patamar ladeado pelo volume translúcido que agora
separa esta circulação do espaço de
administração. Com um vão aberto à rua
principal, este espaço ocupa toda a largura do lote e contem um
"armário" formado por 4 movéis/prateleiras de correr com
capacidade de 500kg, 1,70 metros de comprimento por cerca de 2,5 metros
de altura.
A passagem para a segunda sala polivalente/sala de leitura, separada
pelo vazio da caixa de escada, é feita através do
próprio volume translúcido que como uma ponte sobre o
vazio conduz a esta zona pública. Esta área, com
possibilidade de ser isolada, contém as estantes de correr que
permitem organizar a pequena biblioteca deste edifício e de
encerrá-la, fechando o móvel em circunstancias de uso
público epolivalente.
circulações interiores
Dada a já referida exiguidade de área, a
solução propõe, onde possível, uma
bivalência entre espaço de circulação e zona
de utilização, com o intuito de optimizar o
aproveitamento de toda a área.
Os espaços que se configuram como circulações
têm sempre um mínimo de 1,5 metros
adequação aos condicionamentos
Esta
solução responde aos condicionamentos impostos pela
legislação em vigor, relativamente à
acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência e demais
normativas aplicáveis.
A
obrigatoriedade de manter o embasamento intacto à entrada,
não foi respeitado já que impossibilitava o acesso dos
deficientes.
Optou-se por
criar um patamar à cota da rua e outro ao nível do piso
térreo, permitindo a entrada no edifício, através
de uma escada e ao mesmo tempo através de uma plataforma
elevatória de recolher.
Os demais
acessos estão garantidos, tal como estão respeitados
todos os requisitos relativos à segurança.