ficha tecnica

Construir um novo "chão" ao parque, requalificar o lugar com uma presença semi-enterrada que é retirada, escavada ao parque, um pedaço de chão que se levanta e constroi ao mesmo tempo um monólito encaixado no terreno e um prelongamento do parque para uma cota ligeiramente mais elevada para que se consiga alcançar mais facilmente a direcção apontada; o mar.
A importância dada à paisagem é uma resposta dada à oposição clara da solução estabelecida entre edifício-solo, e à definição de solo como algo delimitado, estável, horizontal determinado e homogéneo. Aparece o desejo de entender a paisagem no seu sentido mais amplo: como uma categoria de um sistema topográfico e não como uma categoria da envolvente construida.
Este projecto não fala da ausência de solo, mas pelo contrário fala da sua redefinição, trata da manipulação da superfície do solo e do seu interior.
Um edifício que não se apresenta como um elemento vertical e activo construido sobre a superfície, mas mais horizontal e passivo. Dando ao solo uma superfície activa, um plano construido, onde a própria arquitectura faz emergir como que uma figura improvável e flutuante.Definido o volume que é retirado à terra e recolocado, criando uma nova superficie orientada para o mar, tornou-se evidente que a entrada para o centro fosse feita por essa superficie ( uma vez que esta é o novo "chao" do parque). Essa superfície ligeiramente inclinada controi ainda uma mais valia para o parque, um pequeno anfiteatro aberto de utilização pública, que constroi uma nova relação com a paisagem, e mais precisamente com a foz do rio, a outra margem, o cabedelo e o mar.
A entrada no edifício torna-se assim num percurso de constante descoberta do existente no Parque ( uma vez que se entra a uma cota mais elevada, o que permite uma relação com o Parque previligiada), do interior dessa massa sobre-elevada do chão e escavada no seu interior como que de uma gruta se trata-se. A ideia de se estar a entrar no interior do solo é acentuada por uma rampa que acaba no interior do edifício, ainda não à cota mais baixa. A ideia de gruta escavada é dada pela forte abertura no volume que estabelece desta vez uma relação com o lado oposto ao mar e com a intervenção efectuada pelo "escavar" e "remover" das terras na construção do edifício.
O volume que constroi a nova superfície do parqueé entendido como uma figura escultórica, esculpida no seu território.
Já no interior do centro a sua organização espacial é bastante clara. A existêcia de um volume vazio "retirado" (conceptualmente) à massa existente é basicamente delimitado em dois gandes vazios com caracteristicas espaçiais diferentes por um volume fechado colocado estratégicamente no interior desse vazio. Esse volume comporta practicamente todo o programa e constroi uma relação visual e fisica entre os dois vazios que são os espaços multi-usos. Prevê-se ainda o possivel fechamento da parte sul do edifício, para poder controlar a quantidade de luz e daios solares dentro do edifício.
Dentro desse volume todos os outros espaços convivem conforme a sua utilização e a relação pretendida com os espaços centrais ( espaço multiusos), como é o caso da entrada ( recepção / vestibulo ) que serve de tampão a uma cota superior, mantendo sempre uma forte relação visual com todo o espaço central. É dada ainda a possibilidade do prelongamento para o exterior do espaço multi-usos, utilizando uma grande abertura no volume que dá acesso a uma plataforma inclinada de utilização variada que constroi uma forte relação com o território. Essa superfície inclinada serve ainda de superfície reflectora que permite que no inverno os raios solares entrem em maior abundância dentro do edifício, permitindo um controlo da temperatura interior sem recursos a energias comerciais. A plataforma permite ainda estabelecer com o visitante uma relação entre o edifício e a natureza, numa cooperação pacífica e construtiva em que o controlo energéctico têm um papel importante.
O Vale de S. Paio, junto da foz do Douro e da orla marítima, tem uma localização previligiada e no entanto o seu acesso é de certa forma estranho e difícil.
Esta dificuldade deve-se por parte à complicada estrutura urbana da cidade de Vila Nova de Gaia, mais precisamente da zona envolvente do futuro Parque. É uma estrutura sem regra, quase labiríntica, onde facilmente se perde as referências. Por isso apesar da sua localização junto ao rio, o acesso à zona marginal do vale está de certa forma dificultado.
O Vale de S. Paio, que encontra-se na margem do rio Douro junto à foz e toca o Cabedelo. Um lugar que causa surpresa; quase idílico; arido; abandonado; com poucas referências urbanas para além da cidade do Porto, na margem oposta do rio; indefinido; extremamente horizontal, apesar das duas encostas e do pequeno cabeço que definem o vale; um banco de areia que o extende para o rio, e o mar que quase o convida a entrar.
A dificuldade de entender o lugar, a inexistência de uma estrutura definida, a forte presença da paisagem e a vontade de fazer parte integrante desta e de não construir um objecto, levou a entender o edifício como um prelongamento do parque. A ideia é basicamente a de redefinir a paisagem em vez de a pontuar. Construir o negativo, redefinir a superfície do parque tornando o edíficio numa superfície do parque caracterizada artifícialmente.
Duas direcções tornaram-se quase evidentes na aproximação ao problema. A de um caminho de terra existente, o unico que nos liga directamente à parte mais alta do vale e que delimita uma das encosta do vale e o cabeço. E a direcção do mar como tentativa de "escapar" visualmente à forte preçensa da outra margem do rio, esta direcção é ainda a do vale mais pequeno delimitado também pelo cabeço.
O desejo de redefenir o parque surge pela dificuldade em pensar numa imposição naquele lugar, e a vontade de pensar no futuro centro como parte do parque e não uma peça para o parque.m o parque, com uma divisão clara entre o espaço da entrada no interior do lote e do espaço de recreio exterior.
Já no interis níveis de relação com o parque permitindo zonas de maior privacidade e zonas a uma cota mais alta com uma forte relação visual com o mesmo. Esses vários níveis oferecem ainda a possíbilidade de zonas de estadia, de jogos e pequenos mundos para as crianças com qualidades várias.

                     
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