ficha tecnica

Reflexão sobre o lugar
O lote está inserido num tecido urbano residencial de baixa densidade.
Os edifícios existentes colocam-se em norma de forma paralela à via adjacente mas com afastamentos, tipologias  e geometria diferentes. Este facto permitiu-nos uma certa abstracção às  referencias arquitectónicas  existentes e interpretar o lugar dando prioridade aos desejos de quem habitará o LAR tal como da actual “necessidade” de sustentável conforto espacial, funcional, térmico e acústico.
O lote apresenta actualmente um edifício existente construído provavelmente nos anos '50, de planta quadrada constituído por duas fracções (uma por piso) cujo espaço social está orientado a Sul em frente ao jardim. O tipo de estrutura (rígida) que parece compor esta construção pouco receptiva à alterações internas sem reforços estruturais importantes, a condição de degrado eventual (pois uma re-construção é sempre uma pequena caixa de Pandora), o escasso interesse arquitectónico do  artefacto mas especialmente as limitações funcionais e espaciais comprovadas, que apresenta face aos requisitos que nos importa propor neste projecto, acabaram para definir a escolha de demolir e construir uma nova CASA.

Objectivos
Os parâmetros mais importantes que organizaram e ditaram as “regras” deste projecto, na sua génese, procurando fundir-se, foram: a relação construído-jardim; a exposição solar e ventilação; a hierarquia entre os espaços da casa.

Relação construído-jardim
Na sequência da Nossa reunião na Câmara de Cascais fomos informados que não existe para este loteamento uma constrição especifica legal relativamente aos afastamentos e índice de construção sendo que poderão servir aqueles utilizados nesta área como determinantes das modas.
A dimensão do lote face à necessidade programática criou uma vontade de investigar no sentido de maximizar a utilização exterior do terreno procurando manter uma noção de continuidade do jardim e a sua melhor acessibilidade. Esta experiência visa a eliminar a imagem de barreira física normalmente criada por um edifício e a integrar os espaços interiores no espaço verde exterior.
A manipulação do terreno conjuntamente com a do edifício é um factor determinante nesta escolha.

Exposição solar e ventilação
A procura da correcta orientação solar é uma base do trabalho que desenvolvemos, pois mais do que uma boa iluminação fornece (quando correctamente resolvido) de forma passiva, através da irradiação solar, calor no inverno permitindo um grande conforto térmico. Neste caso, a orientação a Sul é claramente a mais indicada sendo que o necessário sombreamento terá que ser estudado conjuntamente com a ventilação natural.
A necessidade de providenciar uma ventilação transversal em cada espaço, tal como a vontade de introduzir um sistema passivo de arrefecimento de ar através do uso das propriedades geotérmicas do terreno  foram bases de trabalho.

Hierarquias entre espaços da casa
A casa é claramente um espaço de retiro e de vivência familiar sendo que tem que obrigatoriamente reflectir o “lifestyle” de quem a habita. A relação entre espaços públicos e privados, a sua interacção com o exterior e a resolução conceptual, formal e programática complementam o desafio com o objectivo de estruturar o projecto como um elemento fluido e versátil.

                     
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